segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pra você que assiste esses programas que relatam a vida dentro de um hospital, seja os reais, ou programas como House ou Grey'a Anatomy, e fica pensando se realmente é assim mesmo... é! É daquele jeito. Confesso que com menos emoção. Porque aqui é mais difícil, pois nem sempre se tem tudo a mão, e muito menos todo aquele brilho, e também pelo fato de ainda não ser realmente médica, e estudante vocês sabem né? Só pensa que sabe tudo, mas na real não sabe é nada. (Mas eu sou uma exceçao, eu nunca acho que sei tudo!).

Na sexta, fiz uma prova prática. E descobri que ainda não consigo lidar com o fato de ter que falar do paciente como se ele não estivesse ali. Falando assim soa como uma coisa totalmente sem sensibilidade, e é! Porque eu chego na cara do paciente, e o professor - seja ele qual for - só diz: - Qual é o caso?; Começa!; Apresenta!.

E pronto, o meu dever naquele momento é falar tudo sobre aquele ser, indefeso, que geralmente costuma ficar com cara de o-que-essa-louca-tá-falando ou eu-vou-morrer-hoje-e-nao-to-sabendo. Gente, é horrivel. Mas infelizmente é assim.

Parece que sou a pessoa mais grossa e insensível do mundo. Ainda mais quando há coisas constrangedoras a serem ditas, como promiscuidade, uso de drogas, péssima higiene pessoal, alguma lesão ou doença venérea. É uó!

Quando eu via pela TV aquele bando de aluno na frente do paciente, pensava que nunca ia fazer aquilo, porque achava horrível e bla bla bla, mas agora, quando tem algum paciente com uma coisa rara ou que eu não conheço, eu quero é ir lá com ele, ver, tocar, analisar, auscultar. Vocês não tem noção, pois eu também não tinha, do que é você ler num livro e conseguir ver na prática. Fica tudo tão mais interessante, tão mais real! Você está vendo na tua frente tudo aquilo que tu estudou! Quando a gente so lê e nao vê, parece uma coisa loooooonge, meio inacreditável.

Eu sei que por mais que aprenda a respeitar o paciente, e saiba várias técnicas de tentar não deixa-lo a vontade, só o fato de estar ali já o deixa constrangido. Que nem no dia em que eu estava num SPA e chega um homem de no máximo 30 anos, com hemorroida, agora imagem o cara de 4, com 3 meninas olhando. Eu fico constragida do se saber que a pessoa está constrangida. Mas infelizmente é necessário. Pelo menos pra mim. Quando posso, tento ao máximo ser simpática, falar de um jeito simples, escutar - mesmo que não tenha tempo - porque de qualquer forma é por causa deles que eu to aprendendo.

O post de hoje é dedicado ao meu paciente daquele dia em especial, que mesmo com todos os seus problemas, toda a dor que ele estava sentindo, me entendeu, respeitou e ajudou. Perdoou e ignorou o meu nervosismo, mesmo eu tendo atrapalhado as suas palavras-cruzadas, a sua medicação, e respondeu a todas as minhas perguntas sem nenhum tipo de grosseria (o que é super comum!). Sem ele e sua paciência, eu não seria nada, teria tirado zero e estaria arrasada!

Mesmo porque, é gratificante você escutar que foi uma boa consulta! E que ele gosta de você.... Tem coisas que realmente nao tem preço...

10 comentários:

Enxaqueca disse...

aiiiiiiiiiii!!!! Eu quero um McDreamy pra mim!!! Se eu fizer medicina consigo um? ... rsrs...


Ai, amiga, eu não daria pra essa vida mesmooooo... Parabéns para vc, que consegue!

Besos, guapa...

Mariana disse...

Que Paixão Polly!! em cada paragrafo da sentir a paixão que vc tem pelo o que faz ( e ainda vai fazer), isso é muito bom!!
Quando assiti meu primeiro Juri apesar dos apesares, vi que a pratica muitoooo mais do que a gente pensa que é...

bjão!

Auíri Au disse...

E maravilhoso encontrar pessoas que nos etendem mesmo ns piores momentos..
Espero que esteja melhor...
Beijosss

Nanda Assis disse...

fazer medicina era um sonho meu. boa sorte na profissão.

bjosss...

Bill Falcão disse...

Admiro ver relatos assim como o seu, Polly! Já eu sou daqueles que desmaia quando vê sangue. Tá, exagerei, mas é parecido!
Bjooooooooo!!!!!!!!!!!!

Ariana disse...

É Polly, medicina não é pra qualquer um não, eu por exemplo não aguentaria isso!
Vc é forte sempre sai por cimaa!

bjo

ps: tem post novo!

Nadezhda disse...

É por isso que eu não sei se conseguiria ser médica.

;)

' isaa * disse...

ameei seu blog, já to seguindo !
beijoos !

Marcela ツ disse...

Vc é meu orgulho!
Eu nao sirvo pra isso, sou sensivel demais.. chorei horrores ontem vendo uma mulher morrer no Grey's Anatomy e deixar o marido e o bebezinho prematuro.. ouxe. Mas ainda bem que existem pessoas como vc que dão conta, porque senão pessoas como eu estariam perdidas.

Fabio Fernandes disse...

Eu tinha vontade de ser Psiquiatra, mas acabei virando Analista de Sistemas mesmo...

Mas compreendo perfeitamente o quê você quis dizer e acho muito legal o fato de você sempre querer ver a situação pelo ponto de vista do paciente. Alguns médicos, depois de muitos anos de carreira, acabam por desenvolver uma certa frieza que dá uma imagem deturpada do quê ele realmente é. Um paciente, geralmente busca a cura para a dor que lhe aflige, vê no médico a salvação.

Mas tenha cuidado pq, até no "Grey's Anatomy", os médicos sofrem por se envolverem demais no cotidiano dos pacientes.

;)

Bjokas, e obrigado pela visita.

Ps.: cuidado ao aceitar conselhos de um analista de sistemas que queria ser psiquiatra.